Capitulo 9
Capítulo 9
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Bruno ficou com o rosto fechado, sentindo que Isabela estava abusando de sua posição para fazer o que bem entendesse.
Secretária Isabela, se coloque no seu lugar! Você acha que isso aqui é sua casa?!
Isabela, com a mesma postura firme, pegou sua bolsa e respondeu:
-Se você está insatisfeito, pode me demitir agora mesmo.
—
Você…
Bruno sabia que ela já havia pedido demissão antes, quando ele acompanhou Pedro até o País A, mas não esperava que ela fosse tomar uma atitude tão ousada.
Apesar da confiança que Pedro depositava nele, a empresa não era sua para comandar sozinho. Ele não tinha esse poder de demitir Isabela diretamente. E mais, Isabela era muito querida por Teresa, e se ela fosse até a chefe reclamar, mesmo que tivesse certeza de que Pedro o protegeria, Bruno sabia que isso seria um grande prejuízo para ele.
Isabela, sem se importar com o que ele dizia, simplesmente o ignorou e saiu, passando por ele.
Bruno ficou com o semblante sombrio e saiu da sala do departamento de secretariado.
Antônio, ao notar a expressão de Bruno, perguntou:
–
O que aconteceu?
Bruno explicou a situação.
Antônio ficou surpreso.
Normalmente, ele tinha mais contato com Isabela, e já conhecia um pouco de sua personalidade.
Não conseguiu deixar de comentar:
Isso não parece coisa da Isabela. Não há algum mal–entendido no meio disso?
– Não há mal–entendido. O que aconteceu foi exatamente assim. Na minha opinião, a Isabela
está se aproveitando do cargo e fazendo o que quer, onde está o bom comportamento que você sempre falou dela?
Antônio pensou por um momento e respondeu:
–
Talvez ela esteja diferente porque vai sair. Quem sabe?
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Mas, de fato, Isabela vinha se dedicando ao trabalho de maneira exemplar, como sempre. Não havia mudança visivel em sua postura.
Nesse momento, Pedro se aproximou, vindo de um ponto distante, e perguntou:
O que aconteceu?
-A secretária Isabela não terminou o trabalho e saiu mais cedo,
-Se você está insatisfeito, basta seguir o procedimento e demiti–la.
Pedro parecia indiferente à situação.
Antônio e Bruno ficaram em silêncio por um instante.
Não era que achassem Pedro distante ou frio com relação ao caso de Isabela, O que os surpreendia era que, pelo tom de Pedro, ele parecia não saber que Isabela já havia pedido demissão.
Mas, não foi ele quem autorizou a saída dela?
Será que estavam entendendo tudo errado?
Justo quando estavam prestes a questionar Pedro, o celular dele tocou.
Era uma ligação de Sofía.
Pedro não os olhou mais, passou por eles enquanto caminhava em direção ao elevador e atendeu o telefone, dizendo:
– Já terminei o trabalho, estarei aí em breve…
António e Bruno se entreolharam, estupefatos.
António falou:
-Talvez o Presidente Pedro tenha esquecido?
–
De fato, é possível.
Afinal, Pedro nunca demonstrou muito interesse nas questões relacionadas a Isabela.
Do outro lado.
Ana e a avó de Isabela, Aurora, eram muito próximas.
་་
Antes, sempre que Ana estava em casa, quando Isabela ia à família Gomes, ela geralmente
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levava a filha consigo.
Mas agora, embora Ana tenha voltado para o país, já se passaram tantos dias e ela nem sequer fez uma ligação para Aurora, enquanto ligava todos os dias para Sofia. Passavam poucos días e Sofia já sentia falta dela.
Diante disso, Aurora não via razão para insistir.
Além disso, com a proximidade entre Ana e Sofia, se Aurora soubesse, não sabería como reagir, provavelmente ficaria muito irritada.
Por isso, mesmo com Ana já de volta ao país, dessa vez, ao voltar para a família Gomes, ela não foi até Pedro para buscá–la. Ela foi sozinha.
No caminho, o tráfego estava um pouco congestionado, e quando Isabela chegou à família Gomes, já era mais de seis da tarde.
Aurora a viu e, com um sorriso suave, tocou gentilmente seu rosto, sentindo um pouco de pena, e disse:
–
Você emagreceu.
As longas cílios de Isabela tremeram ligeiramente, e ela respondeu:
Ando muito atarefada no trabalho.
Aurora suspirou e disse:
–
Não importa o quão ocupada esteja, tem que se alimentar bem.
Eu sei, vovó, vou me cuidar.
Isabela se sentou ao lado de Aurora, encostando o rosto no ombro dela, buscando um pouco de
calor.
Aurora viu que o ensopado de carne de ovelha já estava quase pronto e mandou alguém trazer uma tigela de sopa para ela, para ajudá–la a se aquecer.
Isabela ouviu as palavras carinhosas de Aurora, e, ao lembrar dos acontecimentos recentes, seus olhos se encheram de lágrimas.
Ela temia que Aurora ficasse preocupada, então rapidamente tentou conter a emoção, e perguntou:
– A tia e os outros ainda não voltaram da viagem?
– Não, eles estão se divertindo e disseram que vão voltar uma semana depois.
–
– E o tio? Ele tem algum compromisso hoje à noite?
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Seu tio soube que você voltou e cancelou o compromisso, dizendo que viria para jantar conosco. Deve estar chegando a qualquer momento.
Certo.
Mal terminou de falar, Lúcio Gomes entrou em casa.
Ao ver Isabela, Lúcio imediatamente sorriu.
–
Mal terminou de falar, ele franziu a testa.
–
Você emagreceu. Não
– Isabela, você voltou? está se alimentando direito?
Isabela sorriu e respondeu:
–
– Estive muito ocupada, mas prometo que vou comer mais a partir de agora.
Lúcio suspirou, e quando os empregados trouxeram o jantar para a mesa, ele a convidou calorosamente para comer.
Embora Lúcio tenha dito que ela emagreceu, Isabela percebeu que ele também estava mais cansado.
Ela não trabalhava mais no Grupo Gomes, mas sabia que a empresa não estava em boa fase, e Lúcio passava o dia todo preocupado com os negócios, mas, por mais que tentasse, não conseguia salvar a empresa. 19
Nos últimos anos, houve alguns projetos em que, se Pedro tivesse dado uma mão ao Grupo Gomes, a situação nunca teria chegado ao ponto crítico que estavam enfrentando agora.
Mas, além das duas vezes em que Teresa havia dado ordens, Pedro nunca tinha ajudado.
Ela pensava que, se não fosse por Teresa, com o mal–entendido que Pedro tinha dela, ele não só não a ajudaria, como provavelmente destruiria o Grupo Gomes.
Ao refletir sobre isso, Isabela deu um sorriso amargo. O sabor da carne de ovelha, que até então estava delicioso, de repente perdeu o gosto.
Lúcio, sabendo das dificuldades dela, nunca pediu para que ela fosse até Pedro em busca de ajuda, nem mesmo quando havia necessidade.
Após o jantar, quando Aurora foi se retirar para descansar, Isabela entregou ao Lúcio um cartão bancário com sete milhões de reais.
– Isabela, eu não preciso disso.
-Eu não vou usar, então…
–
Isabela empurrou o cartão para ele.
–
Não posso ajudar de outra
maneira, então o que posso fazer é isso.
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Ela sempre foi boa nos estudos, e se fosse para trabalhar com pesquisa e desenvolvimento, teria sucesso, mas parecia não ter o perfil para os negócios.
Felizmente, alguns anos atrás, ela conseguiu registrar alguns patentes de inteligência artificial, e a empresa de tecnologia que fundou com Luís e outros amigos gerava dividendos a cada ano. Com esses rendimentos, ela recebia milhões de reais ao longo do ano, mesmo sem precisar trabalhar.
Lúcio, envergonhado, disse:
Você já me ajudou tantas vezes com dinheiro, mas a empresa…
A empresa ainda estava à beira da falência.
–
Eu que não sou capaz.
A transição da empresa e os investimentos são naturais, tio, não se pressione tanto.
Falando nisso, ela se lembrou da conversa com Luís naquele dia, das palavras que ele lhe disse quando estava indo embora: “O campo da inteligência artificial está se desenvolvendo muito rápido. Com a sua capacidade de desenvolvimento da época e a minha habilidade de gestão, se você não tivesse casado naquela época, hoje nossa empresa provavelmente estaria valendo centenas de bilhões de reais. No futuro, não seria problema algum se tornarmos a líder do setor no país. Felizmente, a inteligência artificial ainda tem um grande espaço para crescer, e ainda temos uma chance. Espero que você possa voltar logo.”
Se ela realmente ainda tivesse a capacidade que tinha antes, quando voltasse para a empresa, poderia fazer o negócio crescer ainda mais. E, então, poderia oferecer ao tio mais suporte financeiro.
Quando Pedro chegou em casa, já passava das dez da noite.
Ana esfregou os olhos e perguntou:
– Papai, você voltou?
–
-Hmm. Ele respondeu de forma neutra. – Se estiver com sono, vá dormir.
Tá bom, papai. Boa noite.
-Hmm.
Ana subiu para dormir, e Pedro tomou a água que o mordomo lhe serviu. Depois de beber, também subiu para o andar de cima.
O quarto ainda estava completamente escuro. Parecia que ninguém estava ali.
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Pedro parou por um momento e acendeu a luz.
De fato, não havia ninguém.
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Capitulo 10