Capítulo 11
Isabela ouviu tudo e quase não conseguiu conter o riso.
Sofia e Pedro só se conheceram depois do casamento dela com Pedro.
Sofia sabia da relação deles, e Isabela não acreditava que David não soubesse que Pedro era o marido de sua outra filha!
Ele com certeza sabia.
Mesmo assim, continuava sem vergonha, tentando juntar Sofia e Pedro.
Era evidente que, no fundo, David a desprezava profundamente, como filha.
Pedro aceitou a situação sem hesitar.
Após mais algumas palavras trocadas, Isabela observou Pedro esperando David entrar no carro e, quando o veículo se afastou, ela finalmente entrou no seu próprio carro e partiu.
Com o status e a posição de Pedro, a única pessoa que poderia ser tratada com tanto respeito normalmente seria algum dos membros mais velhos da família Santos.
Mas, claramente, Pedro respeitava David.
E isso, porque ele era o pai de Sofia.
Enquanto pensava nisso, ela se lembrou das poucas vezes em que Pedro conheceu sua avó e seus tios. Ele sempre demonstrou uma atitude fria e indiferente.
E, mesmo quando ela tentava, com todo o cuidado, pedir que ele ajudasse um pouco seus tios… ele simplesmente se recusava. 1
Mas, com Sofia, a postura era completamente diferente.
A diferença entre o tratamento que ele dava a ela e o que dava a Sofia era enorme.
Isso era a diferença entre ser amado e não ser. (1)
Não demorou muito, e Pedro também partiu.
Só muito tempo depois, Isabela se dirigiu para o restaurante Yatta.
Na tarde seguinte, depois de terminar o expediente, ela foi até em casa pegar os presentes que havia preparado para Teresa e Raul, antes de seguir para a Mansão da família Santos.
A mansão ficava na periferia, um local calmo e tranquilo, perfeito para a residência de idosos.
A única desvantagem era a distância do centro da cidade.
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Isabela levou uma hora e meia de viagem até chegar à mansão.
Estacionou o carro e, antes mesmo de entrar na casa, já ouviu a risada alegre de sua filha Ana.
Teresa, que estava de frente para a porta, logo a viu e sorriu imediatamente.
Isabela, venha cá, venha se sentar comigo.
Porém, só Teresa estava sorrindo. Quando Pedro, sua mãe e Amanda a viram, seus sorrisos desapareceram quase instantaneamente.
Isabela percebeu, mas já não se importava tanto quanto antes.
Ignorou o gesto e, com um sorriso, entregou os presentes ao mordomo que a recepcionava, indo direto para onde Teresa estava.
Ανό.
Teresa estava radiante, puxando Isabela para se sentar, mas logo franziu a testa.
–
Como você emagreceu tanto? O Pedro está te maltratando?
Isabela abaixou os olhos e balançou a cabeça.
Não, só estou mais ocupada ultimamente.
Essas palavras eram meia verdade, meia mentira.
Pedro não a maltratava, mas a verdade era que ela estava frequentemente afetada por ele emocionalmente.
Além disso, nos últimos quinze dias, ela passava a maior parte das noites após o trabalho mergulhada em estudos sobre inteligência artificial, frequentemente ficando acordada até de madrugada.
Esse ritmo de vida acelerado também ajudou a explicar a perda de peso.
Antes
que Teresa pudesse responder, Amanda soltou uma risada.
Você fala de uma forma tão sutil, que quem não sabe pensa que seu trabalho é importante. Será que o Grupo Santos não pode funcionar sem você?
super
A mãe de Pedro, Júlia Bittencourt, sentada ao lado, exalava uma aura de elegância e sofisticação.
Ela deu um gole em seu café e, com um tom frio, disse:
—
Se acha que está tão cansada no Grupo Santos, é melhor pedir demissão. Afinal, ninguém
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está implorando para você continuar lá.
Amanda riu.
– É, alguém vai sentir falta…
Teresa, que não suportava ver Isabela sendo provocada, abriu a boca para falar, mas Isabela foi mais rápida:
— Já entreguei minha carta de demissão. Quando terminar o processo de transição, vou deixar o Grupo Santos.
As palavras caíram no ar e, por um momento, tanto Júlia quanto Amanda ficaram sem reação.
Teresa franziu a testa.
– Isabela…
A mamãe chegou?
Ana havia subido para o segundo andar no elevador.
Agora, estava descendo e, ao ver Isabela, seu rosto se iluminou. Afinal, já fazia mais de meio mês desde que não falava com ela.
Ela interrompeu Teresa, correndo para os braços de Isabela.
Mamãe!
Isabela se deteve por um instante, abraçando ela levemente, mas não disse nada.
Na verdade, Teresa não queria que Isabela deixasse o Grupo Santos.
Mas ao ver Ana ali, ela preferiu não continuar com o assunto e, sorrindo para Isabela, disse:
– Isabela, faz tanto tempo que não tomo um chá feito por você. Que tal me fazer uma xícara?
Isabela, que desde pequena esteve ao lado de Aurora, sempre foi calma, paciente e dotada de talento. Com o tempo, sua habilidade em preparar chá se aprimorou.
Claro, não tem problema. Só que já está quase na hora do jantar…
Amanda gostava de café, mas não gostava de chá. Ela também não apreciava ver Isabela exibindo suas habilidades em preparar chá, então, se apressou em dizer:
É, mais tarde, quando o Pedro e o Sérgio voltarem, já podemos começar a refeição…
Mal terminara de falar, e Pedro já estava de volta.
Assim que entrou, ele cumprimentou Teresa e Júlia. Ao ver Isabela, lançou–lhe um olhar
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rápido e logo desvia o olhar, indo se sentar no sofá de um lugar, o mais afastado dela.
Ana, ao ver Pedro, imediatamente saiu do abraço de Isabela e correu até ele, chamando:
– Papai!
–
Hum.
Pedro a abraçou, olhou ao redor, e estava prestes a falar quando Sérgio Santos entrou.
Sérgio era o irmão mais novo de Amanda e Pedro. Ainda não era adulto, de natureza alegre e de espírito radiante. Quando entrou, deu um pulo leve e saltou sobre o braço do sofá, aterrissando suavemente no lugar.
Vendo tantas pessoas ali, ele sorriu e disse:
– Todos estão esperando por mim?
Amanda deu um leve tapinha na cabeça dele e respondeu:
– Claro, todos estamos morrendo de fome esperando você!
Pedro era mais calado, falava pouco no dia a dia, enquanto Amanda tinha um temperamento explosivo, e Sérgio, com sua natureza alegre, se aproximava mais dos pais. Assim que ele entrou, o rosto de Júlia, que antes estava um tanto frio, se iluminou com um sorriso, e Teresa também parecia mais animada. Como já era tarde e todos estavam com fome, ela pediu à empregada que começasse a preparar a refeição.
No total, eram nove pessoas, e todos se dirigiram à pequena sala de jantar.
Quando se acomodaram, a ordem dos lugares foi Teresa, Pedro, Ana e Isabela.
Teresa sorriu e fez um gesto para Ana:
– Ana, troque de lugar com o seu pai, assim ele pode sentar ao lado da sua mãe.
Teresa estava sempre tentando, em cada pequeno gesto, aproximar Isabela de Pedro.
Os outros já estavam acostumados com isso.
E todos sabiam que, apesar de todos os esforços de Teresa, nada mudava. Mesmo depois de tantos anos, a atitude de Pedro em relação a Isabela não tinha se alterado nem um pouco.
Amanda, sabendo que os esforços de Teresa eram em vão, deu um sorriso irônico. Dessa vez, ela estava tão desinteressada que nem se deu ao trabalho de se envolver e simplesmente se acomodou onde encontrou espaço.
Pedro não gostava da forma como Teresa organizava as coisas, mas, como ele não achava que fosse algo importante, sempre acabava cedendo às suas sugestões. Então, ele não disse nada.
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